Tum, tum , tum…
- Ahhhhhh. Por que botaram a merda do PA ao lado do banheiro? Esqueceram que as pessoas têm ouvido?
Minha raiva foi passando conforme minha bexiga ia esvaziando. Urinar não é simplesmente um alívio, é uma arte! O banheiro apesar de ser pequeno, era bem limpinho e aconchegante. É, o Rio é bem diferente da cidade de onde venho, apesar de próximo.
Mãos cheirosas e secas, bexiga vazia... OPA! Que coisa mais linda!
Cabelo perfeitamente liso, loirinho. Olhos verdes e uma pele cuja tonalidade me atraiu no momento em que olhei. Mas pera ai. Cadê o sorriso? Ela estava numa conversa sem falas com uma amiga, encostada na parede e com um rostinho desanimado. Pensei “Ah, desse jeito eu vou ter que fazer o noite dela valer a pena”.
- Parece que você não gostou muito do seu drink. Acho que vou ficar com ele.
Já com o drink dela na minha mão, finalmente ela sorriu.
- Ahhh, finalmente! Pensei que tinham proibido o sorriso.
- Oi?
Porra, eu odeio o som alto das pistas. Tentei de novo falando colado no ouvido dela.
- Finalmente, hein! Pensei que isso tinham proibido o sorriso.
Putz, que perfume delicioso.
- É que meu pé tá doendo, machuquei lá em baixo.
Confesso que estava um pouco embreagado e não lembro como o decorrer da conversa se deu. Sei que ela morava na Lagoa e se chamava Ísis. Uma linda brasileira no meio de tantas gringas e algumas garotas de programa tentando ganhar uns euros.
Merda, eu odeio quando isso acontece. Assunto acabou. Então...
- Bora dançar um pouco?
- Ah, não. Nem rola.
Na mesma hora, chamou a amiga dela e ficou falando alguma coisa. Fiquei puto. Confesso que fiquei sem saber o que fazer e dizer.
Bom, não era pra eu desistir assim tão fácil, mas foda-se.
- Cadê a próxima?
Risos pra dor
Há 15 anos


